Capítulo II - PRODUTO 3a Parte (é a última prometo!)


Escusado será dizer, que não foi fácil, visto que para meu espanto, fabricantes = máfia da feira de carcavelos ok? Indrominar devia ser o nome do meio do senhor. Enfim, depois de 2 dias seguidos de discussão, e eu a puxar dos contratos que legalmente me protegiam e um fortíssimo paleio jurídico (nunca antes o curso de Direito me foi tão útil) lá consegui, por milagre levar a minha avante.

Porém, o custo previsto de produção, que me foi fornecido, antes do pagamento do protótipo e mediante tais preços eu aceitei fazer o protótipo, tendo em vista a produção das minhas queridas e muito amadas mochilas, triplicou. 

Pois já estava quase a ter uma úlcera nervosa nesta fase… pensei em desistir de tudo,  damage control afinal perdia o que já tinha pago e todo o tempo e esforço humano, mas não perdia mais nada!

O problema é que se eu tomasse esta decisão, e se recorresse a outra fábrica para fazer a produção, e ela me cobrasse um valor semelhante por outro protótipo, eu simplesmente deixava de ter fundos suficientes para avançar para a produção das quantidades mínimas das mochilas.

Respirei fundo, e decidi entrar no ringue de boxe da feira de Carcavelos outra vez! Umas quantas discussões depois, nas quais foram utilizadas todo o tipo de linguagem, inclusivamente  aquele dialecto peculiar e frontal da zona do norte, que nem me atrevo a reproduzir aqui. Lá consegui baixar os preços, não para o preço inicial, mas dentro de valores que para mim eram praticáveis.

Depois de me verem com as garras de fora, as coisas lá foram fluindo melhor, o segundo protótipo era anos luz superior em qualidade e execução, que o cócó verde e amarelo anterior.

Só quando recebi o segundo protótipo é que pude ficar mais tranquila. Porque, efectivamente cheguei a duvidar, que a fábrica tivesse sequer a competência necessária para executar o meu projecto.

Depois, foi a fase da amostra final. Esta seria a mochila executada fielmente, conforme seriam todas as outras da produção, já com os materiais finais. E estava óptima! 

Fiquei muito, muito satisfeita, por ver o meu bebé ali, lindo, tal como o idealizara, e a fé foi reposta na fábrica.

Já com relações mais cordiais, dei-lhes o Ok para a produção e avançamos.

A produção demorou muito, muito, muuuuito mais tempo do que inicialmente previ. Mas de todos os contratempos, este, era para mim o mais fácil de gerir, uma vez que preferia esperar, e sacrificar as vendas da época natalícia, ao invés de apressar a coisa e acabar com algo semelhante a cócós verdes. Depois de uns belos meses, recebi as minhas mochilinhas finalmente!

Importante é mencionar, só mais uma coisa, uma espécie de timeline, para que compreendam ainda melhor as minhas aventuras:

- Comecei a negociar com eles, a pedir informações, orçamentos, enfim os preliminares, em Julho. 

- O cócó verde foi apresentado em Outubro (vejam bem a desilusão que tive depois de meses e meses em stand by)

- O segundo protótipo ficou concluído em finais de Dezembro. 

- A amostra final só em Janeiro é que me veio parar às mãos, e como não podia mesmo adiar mais as coisas, foi com ela que fizemos toda a sessão fotográfica e assim concluímos o nosso site. 

- A produção total (que não foram assim tantas unidades) foi entregue quase em Março.

Preciso de dizer mais alguma coisa?! 7 meses?!???!  &%/()/$%€  O que aprendi aqui? A ter paciência…

2 comments

  • Ana

    Olá, Telma

    Muitos parabéns pela ideia e muito sucesso.

    Estou a montar um negócio de mochilas direccionadas para um target completamente diferente – mães e pais.

    Estou na fase de finalizar desenhos e neste momento preciso de uma fábrica que me faça o protótipo. Apesar de uma primeira má experiência, depois conseguiu o que queria por isso pergunto-lhe, se possível, me consegue indicar uma fábrica onde possa pedir um protótipo.

    Muito obrigada pela ajuda! :)

  • João

    Haha digno the uma epopeia! Desafio a partilharem um foto do “coco verde” hahahahaha. Se já o fizeram peço desculpa.

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